Tem filme que os avós viram no cinema, os pais reviram na TV e as crianças descobrem agora. As animações clássicas têm esse poder de juntar gerações no mesmo sofá, e cada uma chega com lembranças diferentes para cada pessoa da família.

O QUE VALE LEVAR DAQUI

Animações clássicas funcionam bem em família porque cada geração enxerga algo diferente na mesma história. Uma seleção possível vai de Snow White and the Seven Dwarfs (1937) a Finding Nemo (2003), passando por Sinfonia Amazônica (1953), apontado como o primeiro longa de animação brasileiro. Antes do play, confira a classificação indicativa e os descritores de conteúdo.

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O que faz um desenho atravessar gerações

Para escolher animações clássicas, uma boa referência é a lista AFI’s 10 Top 10, do American Film Institute, publicada em 2008 com os dez maiores filmes americanos em dez gêneros. Para montar a lista, o instituto enviou uma cédula com 500 filmes indicados a um júri de mais de 1.500 pessoas do meio criativo, entre artistas, críticos e historiadores.

O AFI define animação como o gênero em que as imagens são criadas principalmente por computador ou à mão e os personagens ganham a voz de atores. É uma definição simples, que cabe tanto num desenho feito quadro a quadro nos anos 1930 quanto numa produção digital recente. E é justamente essa variedade que torna a sessão interessante: os mais velhos reparam na técnica de outra época, os mais novos comparam com o que conhecem.

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Cinco animações clássicas para ver em família

Quatro títulos estão na categoria de animação da lista do AFI e aparecem com o título original. O quinto é brasileiro e tem ficha na Cinemateca Brasileira. As descrições contam só o ponto de partida.

  • Snow White and the Seven Dwarfs (1937), produzido por Walt Disney. O primeiro colocado da categoria. Uma princesa escapa da madrasta invejosa e encontra abrigo numa casinha na floresta, onde vivem sete anões que trabalham numa mina. A fuga pela floresta escura pode assustar os menores.
  • Fantasia (1940), da Walt Disney Productions. Não tem uma história única: são oito peças musicais transformadas em animação, apresentadas pelo narrador Deems Taylor, que abre o filme apresentando o maestro Leopold Stokowski. Um dos trechos é “O aprendiz de feiticeiro”, com Mickey Mouse. Bom para famílias que gostam de música.
  • Sinfonia Amazônica (1953), de Anélio Latini Filho. Sete lendas amazônicas são ligadas pelo garotinho Curumi, que tem um boto como companheiro de aventura. A ficha da Cinemateca indica classificação livre, 61 minutos e imagem em preto e branco. Em artigo publicado na revista Educação Pública, da Fundação Cecierj, o cineasta de animação Gabriel Cruz apresenta o filme como o primeiro longa-metragem brasileiro de animação e conta que Anélio produziu sozinho cenários, personagens e animações, ao longo de quase seis anos.
  • Toy Story (1995), de John Lasseter. Os brinquedos do menino Andy ganham vida quando ele não está por perto. O caubói Woody, o favorito de longa data, vê a chegada de Buzz Lightyear, um boneco que acredita ser um astronauta de verdade.
  • Finding Nemo (2003), de Andrew Stanton. Segundo o AFI, é o filme mais recente de toda a lista. Na Grande Barreira de Corais, o peixe-palhaço Marlin cria o filho Nemo com cuidado excessivo, até que o pequeno é capturado por um mergulhador. Vale saber que o início mostra a perda da mãe de Nemo, cena que pode pedir conversa com as crianças.

Filmes antigos em preto e branco, como Sinfonia Amazônica, ficam mais confortáveis com um ajuste na tela. As dicas sobre modos de imagem da TV ajudam nessa hora.

Rever um desenho da infância ao lado de uma criança é assistir ao mesmo filme duas vezes: com os seus olhos e com os dela.

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Desenho também tem classificação indicativa

Animação não é sinônimo de classificação livre, por isso vale conferir a classificação de cada título. O Guia Prático de Audiovisual, Aplicativos e RPG, usado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública na Classificação Indicativa, trata o contexto fantasioso como atenuante: quando a cena tem elementos claramente fantasiosos, que evidenciam sua distância da realidade, isso pode suavizar a classificação. Mas o guia faz ressalvas, e o atenuante tem influência limitada quando o conteúdo tem forte impacto ou se repete com muita frequência.

Entre os descritores oficiais de conteúdo está “Violência fantasiosa”, ao lado de “Medo” e “Temas sensíveis”. Por isso, vale olhar a faixa etária e os descritores juntos no portal de consulta da Classificação Indicativa antes de escolher. Com crianças pequenas, também ajuda saber de antemão se o filme tem alguma cena de perda ou de susto, como as citadas acima.

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Como transformar a sessão em programa de família

Deixe que cada geração escolha um título da lista para as próximas semanas. Antes do play, os mais velhos podem contar quando viram o filme pela primeira vez; depois, as crianças dizem qual personagem mais gostaram. Essa troca é metade da graça.

Se a turma gostar de histórias com jornada e desafio, os filmes de aventura em família são um bom próximo passo. E, para deixar a sala no clima, as dicas de cinema em casa ajudam a preparar tudo.

ANTES DO PRÓXIMO PLAY

Seu checklist de animação.

  • Deixe cada geração escolher um título.
  • Confira a faixa etária e os descritores de conteúdo.
  • Veja se há cenas de susto ou de perda para os menores.
  • Ajuste o modo de imagem para filmes em preto e branco.
  • Guarde um tempo para contar lembranças depois.

Para consultar

Redação HELP TV PLAYER

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