Começar a ver cinema nacional pelos clássicos pode parecer uma tarefa grande demais, com tantas décadas de filmes e tantos nomes. Um jeito mais leve é andar por fases: cada período tem um tom, um tipo de história e alguns títulos que ajudam a entender o que veio depois.

O QUE VALE LEVAR DAQUI

Um roteiro de cinema nacional para quem está começando pode ter quatro paradas: as chanchadas da Atlântida e os filmes de estúdio da Vera Cruz, nos anos 1940 e 1950; o Cinema Novo dos anos 1960; o período da Embrafilme, entre 1969 e 1990; e a retomada, a partir de 1995. Escolha um filme por fase e siga a sua curiosidade.

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Anos 1940 e 1950: chanchada e estúdio

A primeira parada é a mais descontraída. Segundo o Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira, a Atlântida foi fundada em 1941 e, além de curtas e cinejornais, produziu longas de temática social e as chanchadas que marcaram a companhia. O acervo aponta Este mundo é um pandeiro (1947) como a obra que marcou esse gênero, a comédia musical brasileira de baixo custo. Da mesma casa, o acervo cita títulos como …E o mundo se diverte (1948) e Amei um bicheiro (1952).

Em São Paulo, o caminho foi outro. A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, fundada em 1949 por Franco Zampari e Ciccillo Matarazzo, montou estúdios em São Bernardo inspirados no modelo norte-americano e reuniu profissionais de mais de 25 nacionalidades, de acordo com o mesmo acervo. Foram 18 longas-metragens no período clássico, encerrado em 1954, passando por melodrama, comédia, filme histórico, aventura e policial. Entre eles está o premiado O cangaceiro (1953), de Lima Barreto.

Essa fase é uma boa entrada para quem quer começar sem peso, principalmente pelas chanchadas, com humor, música e a conversa direta com o público popular que o crítico abaixo descreve.

“A chanchada resolveu, a meu ver, o problema do público […] conseguiu conquistar um público, o público popular.” Alex Viany, cineasta e crítico, em texto de 1965 reproduzido pela Cinemateca Brasileira.

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Anos 1960: o Cinema Novo e o Brasil sem enfeite

A segunda parada muda bastante o clima. O projeto Memórias da Ditadura, do Instituto Vladimir Herzog, situa o Cinema Novo entre por volta de 1960 e 1967, inspirado pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa. A proposta era um cinema de autor, feito fora dos grandes estúdios, com imagens e personagens do cotidiano. O Nordeste e as favelas cariocas estavam entre os temas preferidos.

Um bom aquecimento é Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, que acompanha um domingo de cinco garotos vendendo amendoim em Copacabana, no Pão de Açúcar e no Maracanã. O Instituto Moreira Salles registra que o filme teve a exibição interditada pela censura e que essa primeira fase do diretor é considerada um prelúdio do Cinema Novo.

Dentro do movimento, o Memórias da Ditadura destaca Barravento (1960), de Glauber Rocha, Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro de Graciliano Ramos, Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra, e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha. São filmes densos, que pedem atenção e rendem conversa depois. Se a noite pedir algo mais leve, vale guardar essa fase para outro dia; o guia de filmes de drama ajuda a medir a intensidade antes de escolher.

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1969 a 1990: os anos da Embrafilme

A terceira parada é o período da Embrafilme, a Empresa Brasileira de Filmes. De acordo com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), órgão do governo federal, ela foi criada em 12 de setembro de 1969 e, ao longo dos anos 1970, marcou o período com uma produção de centenas de filmes. Em 1980, ainda segundo o CTAv, o público de filmes brasileiros chegou a ocupar 35% do mercado nacional.

O ciclo terminou em março de 1990, quando a empresa foi extinta no governo Collor. Como é um período longo e variado, ele funciona melhor como segunda etapa: depois das duas primeiras paradas, fica mais fácil escolher por diretor ou por tema.

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A partir de 1995: a retomada

Com o fim da Embrafilme, o cinema brasileiro sofreu um abalo. Um artigo da Revista Universitária do Audiovisual, da UFSCar, conta que em 1993 foi promulgada a Lei 8.685, a Lei do Audiovisual, e que ficou conhecida como Cinema da Retomada a produção feita a partir de 1995. O marco apontado é Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati.

O mesmo texto cita, dessa fase, Terra Estrangeira (1995), de Walter Salles e Daniela Thomas, O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto, e Central do Brasil (1998), de Walter Salles. Por serem mais próximos no tempo, podem ser uma entrada confortável para quem estranha a imagem e o som de décadas anteriores.

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Como montar seu roteiro de cinema nacional em casa

Um filme por fase já dá um bom panorama. Comece pela que combina com o seu humor do dia e anote o que chamou atenção: um diretor, uma cidade, um tema. Essa anotação é o que puxa o próximo filme.

Antes do play, olhe a duração e a classificação indicativa na ficha da obra. Na ficha do Instituto Moreira Salles, por exemplo, Rio, 40 Graus aparece com 100 minutos e 14 anos, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, com 120 minutos e 14 anos.

Para filmes de outras décadas, um ajuste na tela pode deixar a sessão mais confortável. Vale conferir os modos de imagem da TV e as dicas de cinema em casa para deixar a sala pronta.

ANTES DO PRÓXIMO PLAY

Seu roteiro em quatro paradas.

  • Escolha a fase de partida: chanchada e estúdio, Cinema Novo, Embrafilme ou retomada.
  • Confira a duração e a classificação indicativa na ficha do filme.
  • Deixe os títulos mais densos para uma noite com mais disposição.
  • Anote um nome ou tema que chamou atenção e use para escolher o próximo.

Para consultar

Redação HELP TV PLAYER

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