Escolher filmes de fé para ver em família pede dois cuidados: respeitar as crenças de cada pessoa no sofá e conferir se a história cabe na idade de quem vai assistir. Um filme com mensagem de fé pode emocionar quem crê, interessar quem tem outra religião e abrir conversa com quem não tem nenhuma, desde que a escolha seja feita com atenção.

O QUE VALE LEVAR DAQUI

Tema religioso não define a faixa etária: o guia oficial de classificação indicativa proíbe critérios baseados em religião e olha para conteúdos como violência. Por isso, filmes de fé também precisam ter a classificação conferida. Para começar, cinco clássicos com diferentes expressões de fé, com fonte em instituições de cinema, e ideias para uma conversa respeitosa depois.

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O que a classificação indicativa considera

O Guia Prático de Audiovisual, Aplicativos e RPG da Classificação Indicativa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, explica que a classificação existe para informar pais e responsáveis sobre a idade não recomendada para determinados conteúdos. As faixas vão de Livre a 18 anos, e vêm acompanhadas de descritores de conteúdo, como “Violência” e “Medo”.

Um ponto importante para quem procura filmes com mensagem de fé: o guia determina que os critérios de classificação não podem ser usados com base em religião, e proíbe dar faixas diferentes a conteúdos parecidos por causa de divergências culturais ou religiosas. A exceção são critérios que busquem, entre outros objetivos, fomentar o respeito entre culturas e religiões. Na lista de descritores antigos que devem ser desconsiderados, aparece “Religião”.

Na prática, um filme não fica mais leve só por ter tema religioso. Uma história bíblica, por exemplo, pode ter cenas de violência que pesam na classificação. O guia também lembra que até obras com classificação Livre podem ter descritores. Por isso, antes de apertar o play, vale consultar o título no portal da Classificação Indicativa.

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Cinco filmes de fé para ver em família

A lista reúne um clássico brasileiro, com dados da Cinemateca Brasileira e do Festival de Cannes, e quatro filmes americanos que estão na lista AFI’s 100 Years…100 Cheers, com os 100 filmes mais inspiradores segundo o American Film Institute. As descrições contam apenas o ponto de partida de cada história.

  • O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte. Um homem promete a Santa Bárbara que, se o seu burro de estimação se curar, dividirá suas terras com lavradores mais pobres e levará uma cruz pesada até o altar da santa, na Bahia. Segundo a sinopse do festival, como não havia imagem da santa na igreja do vilarejo, ele celebrou o voto num candomblé dedicado a Iansã, que a sinopse aproxima de Santa Bárbara. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1962. A página da Cinemateca indica classificação Livre e 96 minutos.
  • It’s a Wonderful Life (1946), de Frank Capra. Na véspera de Natal de 1945, orações por George Bailey chegam ao céu, e um anjo que ainda não ganhou suas asas é enviado para ajudá-lo. É o primeiro colocado da lista do AFI. O ponto de partida é um homem em profundo desespero, tema que merece conversa se houver crianças na sala.
  • Lilies of the Field (1963), de Ralph Nelson. Um ex-soldado que viaja pelo sudoeste dos Estados Unidos encontra cinco freiras refugiadas tentando cultivar uma terra árida no Arizona. A madre superiora convence o visitante a ajudar, inclusive a construir uma capela.
  • Fiddler on the Roof (1971), de Norman Jewison. Em 1905, numa aldeia da Rússia, o leiteiro judeu Tevye tenta sustentar a família e manter suas tradições religiosas e sua devoção a Deus, com quem conversa o tempo todo. A história também mostra tensão política e antissemitismo.
  • The Ten Commandments (1956), de Cecil B. DeMille. O épico começa com a história do bebê Moisés, colocado num cesto no rio Nilo e encontrado pela filha do faraó. A sinopse do AFI inclui a ordem de morte de meninos hebreus recém-nascidos, um conteúdo a considerar com crianças pequenas.

As fichas do AFI não trazem a classificação indicativa brasileira dos quatro filmes americanos, então confira cada um no portal antes de escolher. Se a família gostou do filme brasileiro, o roteiro de cinema nacional traz outros clássicos, e quem prefere histórias mais densas encontra ideias em filmes de drama.

Não é preciso compartilhar a mesma fé para se emocionar com a história de alguém que acredita.

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Respeito e conversa depois do filme

A sessão pode terminar com perguntas abertas, sem certo ou errado: o que moveu cada personagem, que promessa ou tradição chamou atenção, o que cada pessoa da casa entende por fé. Em famílias com crenças diferentes, vale combinar que cada um fala da própria experiência, sem comparar religiões nem tentar convencer ninguém.

Com crianças, vale explicar que cada tradição tem seus próprios costumes e símbolos, como mostra o encontro entre devoção católica e candomblé em O Pagador de Promessas. Para montar uma sessão com os pequenos, as dicas de aventura em família ajudam a ler faixa etária, descritores e duração.

ANTES DO PRÓXIMO PLAY

Para uma sessão de fé em família

  • Consulte a classificação indicativa e os descritores do filme.
  • Leia a sinopse antes e veja se há temas delicados para as crianças.
  • Combine que cada pessoa fala da própria crença, sem comparar.
  • Guarde uns minutos para conversar no final.

Para consultar

Redação HELP TV PLAYER

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