A novela que a família acompanha hoje, com capítulo todo dia e horário marcado, nem sempre foi assim. A história da telenovela no Brasil passa por alguns momentos em que o formato mudou de jeito, e cada um deixou marcas no que ainda aparece na tela. A pesquisa acadêmica sobre o tema ajuda a separar cinco deles.

O QUE VALE LEVAR DAQUI

A história da telenovela no Brasil pode ser contada em cinco momentos: a estreia na TV Tupi em 1951, com poucos capítulos por semana; a novela diária a partir de 1963; a virada para o cotidiano brasileiro em 1968; os anos 1970, com rede nacional, faixas de horário e cor; e a pausa inédita nas gravações durante a pandemia, em 2020.

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1951: a estreia, com poucos capítulos por semana

A primeira telenovela brasileira, Sua vida me pertence, foi ao ar em 1951 na extinta TV Tupi, como registra a pesquisadora Silvia Helena Simões Borelli, da PUC-SP. Em outro estudo, a pesquisadora Soraia Rodrigues Costa conta que a história já tinha feito sucesso no rádio, que cada capítulo durava 15 minutos e que a trama se estendeu por três meses. Nessa fase, as novelas iam ao ar duas ou três vezes por semana.

Borelli descreve os anos 1950 e 1960 como um período de produção mais artesanal do que industrial, com profissionais vindos do rádio, do teatro e do cinema e muitas novelas adaptadas de textos literários. Um detalhe ajuda a imaginar o improviso: foi só com a divisão de trabalho que veio depois que as atrizes deixaram de precisar levar de casa o próprio vestido de noiva para o casamento da personagem.

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1963: a novela passa a ser diária

A primeira telenovela diária foi 2-5499 Ocupado, exibida em 1963 pela TV Excelsior. Segundo Costa, é também a partir de 1963 que o videoteipe passa a ser usado de fato no Brasil. Para Borelli, esse recurso mudou o jeito de fazer televisão, porque permitiu repetir, corrigir e guardar o que era gravado, formando um acervo e uma memória.

O ritmo diário pegou. Costa relata que O direito de nascer fez sucesso a partir de 1964 e que o encerramento da novela virou festa com público no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em 13 de agosto de 1965, e no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, no dia seguinte. Com esse sucesso, segundo a autora, as outras emissoras passaram a investir mais no gênero.

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1968: a novela fica parecida com o Brasil

Até ali, muitas novelas contavam histórias distantes. A pesquisadora Maria Immacolata Vassallo de Lopes, da USP, cita como exemplo desse modelo uma novela de 1966 com personagens de nomes estrangeiros, dramas pesados, diálogos formais e figurinos pomposos, em tempos e lugares exóticos.

A ruptura veio com Beto Rockfeller, da TV Tupi, em 1968. Segundo Lopes, a novela trouxe a trama para as grandes cidades brasileiras do seu tempo e, com gravações externas, levou para a tela a linguagem coloquial, o humor e personagens mais ambíguos. Costa cita a descrição de Ramos e Borelli: uma narrativa “repleta de gírias e de expressões populares”. Não por acaso, Lopes divide a história da telenovela brasileira em três fases (sentimental, de 1950 a 1967; realista, de 1968 a 1990; e naturalista, desde 1990), conforme cita a pesquisadora Juliana Tillmann, da UFRJ.

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Anos 1970: rede nacional, horário marcado e cor

A pesquisadora Esther Hamburger lembra que, até setembro de 1969, a TV brasileira era local. As primeiras transmissões em rede nacional começaram naquele ano, quando somente algumas capitais participavam. Hoje o sinal chega de outro jeito, e o guia de TV aberta digital explica como sintonizar os canais abertos na sua TV.

Nos anos 1970 também nasceu o “horário da novela”. Segundo Lopes, a TV Globo passou a produzir três novelas diárias, distribuídas entre as 17h30 e as 22h, e com isso criou hábitos de assistir a cada faixa. A cor chegou na mesma década: para Borelli, ela alterou cenários, figurinos e iluminação. A primeira novela em cores, segundo Costa, foi O Bem-Amado, de Dias Gomes, que um estudo publicado na revista Temática, da UFPB, data de 1973.

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2020: a pausa que também entrou para a história da telenovela

Um estudo publicado na revista Rumores, da USP, registra um fato sem precedente: em março de 2020, por causa da pandemia de covid-19, a TV Globo interrompeu pela primeira vez em seus 55 anos a produção de novelas, seu principal produto. A TV Record tomou decisão semelhante no dia 17 do mesmo mês. No lugar dos capítulos inéditos, entraram reprises.

A pausa mostrou a força do acervo que o videoteipe tornou possível lá atrás. No questionário on-line do estudo, respondido por 265 pessoas, parte de quem acompanhava as reprises não tinha visto aquelas novelas na primeira exibição. Quem quiser entender por que as histórias antigas seguem encontrando público pode continuar pelo texto sobre novelas antigas. E quem gosta de acompanhar fases e rupturas também encontra esse percurso no cinema nacional.

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Redação HELP TV PLAYER

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